Mesmo assim, para muitos executivos, a área de parcerias ainda é vista como a famosa “Área 51” da companhia: todo mundo sabe que existe, mas poucos entendem o que acontece lá dentro, como medir resultados e como escalar esse modelo de forma previsível.

Por que parcerias ainda são a “Área 51” das empresas

Na maioria das organizações, as parcerias nascem isoladas. Viram um time pequeno, desconectado de vendas, marketing, produto e customer success. Quando isso acontece, o impacto existe, mas nunca escala.

Para funcionar de verdade, parcerias precisam sair do campo operacional e entrar no campo estratégico. CEO, COO, CCO e lideranças comerciais precisam se sentir responsáveis pelo sucesso do ecossistema — não apenas “patrocinadores distantes”.

Uma mudança simples, mas poderosa, é enxergar o parceiro como um cliente no atacado.
Se um cliente direto gera R$500k de receita, ele é estratégico. Agora, se um parceiro atende 10 clientes de R$100k, ele é responsável por R$1M de GMV. Ignorar esse parceiro, não dar prioridade no suporte ou não criar processos claros é assumir um risco de crescimento.

Outro bloqueio comum está na visão de que comissionar parceiros é apenas um custo. Quando a conversa entra nos dados, essa percepção muda rapidamente: CAC menor, win rate maior e ciclo de vendas mais curto. Parcerias deixam de ser gastos e passam a ser alavanca de eficiência.

Parcerias não são todas iguais (e esse erro custa caro)

Um dos motivos pelos quais muitos programas não escalam é a falta de clareza sobre que tipo de parceria a empresa está construindo. Tudo vira “parceiro”, mas com expectativas diferentes, incentivos confusos e resultados inconsistentes.

De forma simples, ecossistemas maduros se organizam em trilhas claras.
Há parceiros focados em venda e implementação, que ampliam o go-to-market e geram receita direta. Há parceiros de tecnologia, que aumentam a retenção, criam novos casos de uso e fortalecem o produto. 

Misturar tudo em um único programa geralmente gera frustração para os dois lados.

O mesmo vale para incentivos. MDF, descontos por origem, rebates por crescimento e incentivos de engajamento existem para estimular comportamentos específicos. Quando mal desenhados, viram dinheiro mal alocado. Quando bem estruturados, aceleram geração de demanda, expansão e retenção.

Parcerias escalam quando seguem uma jornada clara

Ecossistemas de parcerias bem-sucedidos não dependem de sorte. Eles seguem uma jornada previsível e com processos claros.

Tudo começa com clareza de visão. Antes de buscar parceiros, é essencial definir o IPP - Ideal Partner Profile. Você quer volume? Quer contas estratégicas? Quer penetração em um nicho específico? Sem isso, a empresa tenta agradar todo mundo e não constrói profundidade com ninguém.

Na fase de descoberta, qualidade importa mais do que quantidade. Parcerias fortes começam com alinhamento cultural, técnico e de mercado. Em muitos contextos, associações, comunidades e eventos têm um papel fundamental na construção de confiança antes mesmo da venda.

Depois vem o ponto mais negligenciado: Onboarding. Assinar contrato não gera resultado. Enablement gera! O parceiro precisa dominar a solução, o discurso e o posicionamento como se fosse parte do time interno. Se ele descobre novidades pelo cliente final, algo falhou.

Por fim, escala exige gestão. WBR, MBR, QBRs, análise de dados, ajustes de rota e replicação do que funciona transformam bons casos em crescimento previsível.

Os três pilares que sustentam parcerias de longo prazo

Ao observar ecossistemas maduros, um padrão se repete. Programas sólidos se apoiam em três pilares simples e inegociáveis.

O primeiro é produto. O parceiro só escala aquilo em que confia. Se a solução não resolve dores reais, nenhuma comissão sustenta a relação.

O segundo é relacionamento. Parceiro não busca atendimento comum. Quando ele entra em contato, normalmente é porque algo relevante está em jogo. Ter processos claros não é mimo, é estratégia.

O terceiro é negócio. O parceiro precisa ganhar dinheiro ou visibilidade. O cenário ideal é quando a sua marca se torna tão forte no ecossistema que o cliente pede pela solução antes mesmo de você aparecer na conversa.

Quando esses três pilares estão equilibrados, parcerias deixam de depender de esforço constante e passam a rodar com muito mais autonomia.

Cultura, tempo e o futuro das parcerias

Parcerias são, acima de tudo, relações de confiança. Ética, transparência e coerência constroem reputação no ecossistema. Quebrar essa confiança — por exemplo, desviando uma oportunidade para outro parceiro por comissão maior, produto sem fit com o cliente — destrói valor no médio prazo.

Outro erro comum é o imediatismo. Parcerias não são campanhas de mídia paga! Relações sólidas levam tempo para amadurecer. Muitas demoram seis meses ou mais para gerar impacto relevante. Quem não entende isso costuma desistir cedo demais.

O futuro das parcerias passa, sim, por tecnologia e inteligência artificial. Automação, análise de dados e qualificação de perfis vão acelerar processos. Mas o coração do modelo continuará sendo humano. Parceria ainda é apertar a mão, construir confiança e fazer negócios entre pessoas.

Uma boa metáfora ajuda o C-Level a entender esse tempo:
parceria é como um casamento. Primeiro vem o flerte, depois o namoro, o compromisso formal e, só então, os frutos. Não se cobra um filho no dia seguinte ao casamento.

Tratar parcerias como “Área 51” é abrir mão de crescimento previsível, eficiência comercial e vantagem competitiva. Empresas que profissionalizam seus ecossistemas constroem canais resilientes, capazes de atravessar ciclos econômicos e escalar com consistência.

Elsewhere, folks are trying odd formats; poems from browser tabs, leftover-to-leftover recipe chains, text-only newsletters, and platforms are testing calmer notifications so makers can actually focus.

Keep Reading

No posts found